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quarta-feira, 31 de julho de 2013

FÁBRICA DE AMOR, de F. J. Hora

FÁBRICA DE AMOR [1]

 

 

Quando dois corações se unem...

O máximo nível dessa união

É o amor entre os dois

Como se fossem uma só carne

E é exatamente essa ideia

Tão real que é da vida humana.

O realismo das ideias clássicas

Do amor em realização

Uma tradição essencial e importante

De um sentimento pudico

Da mais alta importância

E nunca o sentimento lúdico

Até que os sábios confirmem

Não é o sentido da razão

E sim o quanto significa.

 

Um lugar no espaço terrestre

O necessário motor da humanidade

Que move um sistema hereditário

Uma espécie individual e unida

Conjuntiva e definitiva.

O padrão da vida com amor

Simbolicamente nas diferenças

Não social, mas humana

Mas, em semelhança para a companhia

Que foi feita para a sensação

E atrações destinadas a um fator

Totalmente físico humano.

Um mistério onde

A essência é singular a todos

Mas, a composição é plural.

 

Talvez essa composição

Seja só para o funcionamento

Dessa posição da fábrica

O seu potencial amoroso.

E quem não ama?

Não sentes amor?

Buscamos a solução

E vamos parar na fábrica

Que produz uma semente

Hereditária e humana

De uma sociedade primária

Composta de poesia

Com traços de arte amorosa

É como tal, dizer que é ciência,

Um estudo de grande valor.

 

Com a interligação de opiniões

A vida dá lugar ao momento

Que torna o mundo grande

O sentimento da emoção

Do respeito de poder sonhar.

O carinho é um ingrediente,

Composto por carícia

Boa postura como produtora,

Quanto mais amor

Mais produtos do amor

Num sentimento de alegria

No paraíso a luz da lua

Esta máquina da vida futura

Que no mundo atua

Não está mais tão pura.



[1]  Mais uma vez o título sugere um dos equívocos ou ilusões da mente humana. O sexo como sendo fruto do amor ou vice-versa. O termo fábrica de amor se refere à tão famosa frase “vamos fazer amor...”!

Fabricar amor é a definição de um ato sexual. Mas, a definição original é: Amor = natureza intrínseca de Deus. Dessa forma, a manifestação do amor não se resume exclusivamente ao relacionamento marital ou homem com mulher.

 

Autor: F. J. Hora  – Escritor, poeta, romancista e crítico literário. Atualmente cursa Ciência Contábeis pela Universidade Tiradentes (UNIT). Publicou em 2012 o seu primeiro livro Poesia do Novo Tempo pela Editora CBJE, Rio de Janeiro.

terça-feira, 23 de julho de 2013

A SISTEMÁTICA ILUSÃO

 

                                            Por F. J. HORA

 

Constantes momentos por decisões

Que a vida tem teorias

Por não serem tão sábios

Cheios de intelecto e precisão,

Como alguém inútil

Abrangendo um padrão desprezível

Por um nível elevado de sabedoria

Como a razão filosófica

Do mundo artístico e social

Descoberto como um tiete

Uma cultura construtiva

Que é como um deus

Pois, as aparências são únicas

Numa realidade operativa

Sem algo mais a descobrir.

 

Este projeto, talvez, único,

Que estabelece ideias negativas

Somente por fatos transparentes

Que ultrapassam os limites da fantasia

Trazendo inúmeros atrasos

Sem a visualização do espaço

É emocional e não racional.

Isso até que é cultural

Mas, não é tão poético

Quanto ao final das palavras

Transformadas em emoção

Por planos de incentivo

À formação de ideias equivocadas

Sem a exatidão científica

Onde a busca filosófica

Não é completa e satisfatória

É falsos contos e histórias.

Como se fosse único

Tornou-se o padrão individual

Que torna o mundo igual,

Movido por um inexato ideal,

O sentimento com a razão,

Tão somente sem solução

É como a arte de estudar

Não só por plena obrigação

Deste mundo sem pensar

No erro da sistemática ilusão[1]



[1]O uso do termo sistemática ilusão é uma crítica aos valores que o fim do século XX impôs na mentalidade humana. Na verdade, o eu-poético quer evidenciar o contraste entre a qualidade de vida pregada pela vida moderna e o estresse resultante dessa experiência.

Entende-se por ilusão todas as manifestações de conformismo inseridas através da mídia na cultura popular.

 

 

Pág. 13 de Poesia do Novo Tempo. Editora CBJE: Rio de Janeiro, 2012.

Autor: Flávio de Jesus Hora – Escritor, poeta, romancista e crítico literário. Atualmente cursa Ciência Contábeis pela Universidade Tiradentes (UNIT). Publicou em 2012 o seu primeiro livro Poesia do Novo Tempo pela Editora CBJE, Rio de Janeiro.

PENSAR É VIVER

 

Pensar é Viver

                        F. J. HORA

Em meados de 2000, foram iniciados os trabalhos com poesias voltadas para a arrumação artística do pensamento.

O que esse tipo de poesia pretende é documentar as reflexões filosóficas sobre temas na busca do significado original ou natureza intrínseca do assunto.

Porém, nesse período a preocupação maior era expor todos os aspectos que o assunto suscita. De forma irônica eram descritos todas as nuances e desdobramentos do tema em evidência.

Temas principais:

Sistemática Ilusão: Conjunto de ações e reações de conformismo de natureza errônea (equívocos) ou as ilusões que temos;

Fábrica de Amor: Alusão à cópula carnal;

Fascinação: As paixões humanas, inclusive as idolatrias como dinheiro e celebridades;

Sonho de Amor: Idealização do ato sexual;

Sensações Amorosas: Alusão ao prazer sexual;

Solidão: Estado de espírito do eu-poético;

Um Sonhador: Confissões do poeta sobre o seu tempo.

O poema a seguir resume de forma simples o ideal da arrumação artística do pensamento.

 

Pág. 11 de Poesia do Novo Tempo. Editora CBJE: Rio de Janeiro, 2012.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

POESIA DO NOVO TEMPO: A obra que inaugura o NOVO TEMPO na literatura brasileira

Em fim, a espera acabou. Após 4 publicações consecutivas nas Antologias da CBJE, acaba de sair do forno a obra que irá elevar Japaratuba no cenário literário nacional. A data do lançamento ainda não está prevista, mas os exemplares já podem ser solicitados ou adquiridos. Acesse: Flávio Hora e entre em contato através de um dos nossos canais de contato.


Introdução

A Poesia do Novo Tempo, obras no estilo Pensadorismo/Originalismo inaugurado em 2004, com o surgimento de Sílvio Locato como entidade poética.
Não há como negar que tudo o que foi produzido nestes últimos seis anos sofreram modificações ao longo dos anos. Uma adequação ideológica nos moldes da nova proposta literária.
O pensamento Originalista nasce da necessidade de resgatar o que de original existe em cada escola literária desde a Antiguidade Clássica.
Uma das características principais é o retorno ao Renascimento em busca da qualidade intelectual da literatura camoniana.
Na poesia, o Originalismo conta com uma nova corrente de elaboração que é o Pensadorismo ou arrumação artística do pensamento ou opinião, conceito.
Geralmente são poemas de oitavas, mas podem assumir formas não fixas. O que vai importar é o teor analítico do conceito de cada coisa ou uma exposição de cada tema.
O Originalismo também prega o amor verdadeiro e único, essencial, crônicas de costumes, documentação da realidade, a paixão carnal e erótica, a juventude atual, os ritmos modernos em criticas pesadas.
O uso de Sonetos, cartas e o processo de heteronímia na criação de musas e planejamento de personalidade dos personagens através do mapa astral, além de romances com mais de um narrador.
O pensamento Originalista busca a raiz, a origem, o que tem de mais rico na arte.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

OS PRECUSSORES DO NOVO TEMPO

Enquanto o Classicismo foi a expressão literária do Renascimento, o Maneirismo foi uma reformulação do pensamento clássico e naturalista, dado o choque ideológico das grabdes transformações diante da fragilidade humana.
Assim como o Originalismo, há uma síntese dos estilos contemporâneos com o estilo próprio do autor. O Romantismo foi uma das correntes de pensamento decisiva para um sentimentalismo mais concreto e ativo, seguindo em sua linhagem mais radical com o Realismo/Naturalismo, finalizando no neorealismo da literatura moderna.
Não importa só idealizar, cantar a beleza que existe ou deveria existir. Basta criar um universo onde se registra e imortaliza de forma literária as paixões e a realidade nua e crua da humanidade.
É importante conhecer o passado para que o presente seja explicado. Sem essa de museu...!

Características do Realismo

  • Veracidade: Demonstra o que ocorre na sociedade sem ocultar ou distorcer os fatos
  • Contemporaneidade: descreve a realidade, fala sobre o que está acontecendo de verdade.
  • Retrato fiel das personagens: caráter, aspectos negativos da natureza humana.
  • Gosto pelos detalhes: lentidão na narrativa.
  • Amor: a mulher objeto de prazer/adultério.
  • Denúncia das injustiças sociais: mostra para todos a realidade dos fatos.
  • Determinismo e relação entre causa e efeito: o realista procurava uma explicação lógica para as atitudes das personagens, considerando a soma de fatores que justificasse suas ações. Na literatura naturalista, dava-se ênfase ao instinto, ao meio ambiente e à hereditariedade como forças determinantes do comportamento dos indivíduos.
  • Linguagem próxima à realidade: simples, natural, clara e equilibrada.


Émile Zola (Fonte: Wikipedia)

Émile Zola, grande precursor do Naturalismo.
 
O francês Émile Zola foi o idealizador do naturalismo e o escritor que mais se identificou com ele. O romance experimental (1880) é considerado o manifesto literário do movimento. As leituras de Zola sobre a teoria evolucionista de Darwin (a Origem das espécies foi publicada em 1859), A filosofia da arte (1865), "um grande estudo fisiológico e psicológico". O que Claude Bernard tinha desvendado no corpo humano, Zola iria desvendar na sociedade. A título de curiosidade, conta-se que Zola pouco mais teve que fazer do que substituir as palavras médico por romancista do livro "Introduction a l'étude de la médicine experimentale" (Claude Bernard) para poder escrever a sua obra "Le Roman Expérimental", de 1880. Outras influências fortes sobre seu trabalho, nesse sentido, seriam a obra de Honoré de Balzac (que havia realizado uma verdadeira radiografia da sociedade francesa com a série de romances. A comédia humana, concluída em 1846) e as idéias socialistas em ascensão (O Manifesto Comunista de Karl Marx e Friederich Engels é de 1848). Em 1871, Zola dava início a seu grande projeto, a série Os Rougon-Macquart. A repercussão na imprensa do êxito de A taverna (1876) levou Zola a responder à crítica da seguinte forma: "Estou sendo considerado um escritor democrático, simpatizante do socialismo, mas não gosto de rótulos. Se quiserem me classificar, digam que sou naturalista. Vocês se espantam com as cores verdadeiras e tristes que uso para pintar a classe operária, mas elas expressam a realidade. Eu apenas traduzo em palavras o que vejo; deixo para os moralistas a necessidade de extrair lições. Minha obra não é publicitária nem representa um partido político. Minha obra representa a verdade". Em 1880, Nana é lançado e faz grande sucesso. Aborda um tema ousado: a prostituição de luxo.
Em 1881 Zola lança sua obra-prima Germinal. Para escrevê-lo, o autor não se contentou com a pesquisa, foi direto à fonte. Passou dois meses trabalhando como mineiro na extração de carvão. Viveu com os mineiros, comeu e bebeu nas mesmas tavernas para se familiarizar com o meio. Sentiu na carne o trabalho sacrificado, a dificuldade em empurrar um vagonete cheio de carvão, o problema do calor e a umidade dentro da mina, o trabalho insano que era necessário para escavar o carvão, a promiscuidade das moradias, o baixo salário e a fome. Além do mais, acompanhou de perto a greve dos mineiros, por isso sua narração é tão impactante. A força de Germinal causou enorme repercussão, consagrando Émile Zola como um dos maiores escritores de todos os tempos.

Características gerais do Classicismo

 Camões foi o mais importante poeta do classicismo português, sendo sua maior obra, Os Lusíadas, a maior epopéia já escrita em português.


Obra (Fonte: Wikipedia)

Contexto

Camões viveu na fase final do Renascimento europeu, um período marcado por muitas mudanças na cultura e sociedade, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna e a transição do feudalismo para o capitalismo. Chamou-se "renascimento" em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da Antiguidade Clássica, que nortearam as mudanças deste período em direção a um ideal humanista e naturalista que afirmava a dignidade do homem, colocando-o no centro do universo, tornando-o o investigador por excelência da natureza, e privilegiando a razão e a ciência como árbitros da vida manifesta.[54][55][56] Nesse período foram inventados diversos instrumentos científicos e foram descobertas diversas leis naturais e entidades físicas antes desconhecidas; o próprio conhecimento da face do planeta modificou-se depois dos descobrimentos das grandes navegações. O espírito de especulação intelectual e pesquisa científica estava em alta, fazendo com que a Física, a Matemática, a Medicina, a Astronomia, a Filosofia, a Engenharia, a Filologia e vários outros ramos do saber atingissem um nível de complexidade, eficiência e exatidão sem precedentes, o que levou a uma conceção otimista da história da humanidade como uma expansão contínua e sempre para melhor.[55][57] De certa forma, a Renascença foi uma tentativa original e eclética de harmonização do Neoplatonismo pagão com a religião cristã, do eros com a charitas, junto com influências orientais, judaicas e árabes, e onde o estudo da magia, da astrologia e do ocultismo não estavam ausentes.[58] Foi também a época em que se começaram a criar fortes Estados nacionais, o comércio e as cidades se expandiram e a burguesia se tornou uma força de grande importância social e económica, contrastando com o relativo declínio da influência da religião nos assuntos do mundo.[59]
No século XVI, época em que Camões viveu, a influência do Renascimento italiano expandiu-se por toda a Europa. Porém, várias das suas características mais típicas estavam a entrar em declínio, em particular por causa de uma série de disputas políticas e guerras que alteraram o mapa político europeu, perdendo a Itália o seu lugar como potência, e da cisão do Catolicismo, com o surgimento da Reforma Protestante. Na reação católica, lançou-se a Contra-Reforma, reativou-se a Inquisição e reacendeu-se a censura eclesiástica. Ao mesmo tempo, as doutrinas de Maquiavel se tornavam largamente difundidas, dissociando a ética da prática do poder. O resultado foi a reafirmação do poder da religião sobre o mundo profano e a formação de uma atmosfera espiritual, política, social e intelectual agitada, com fortes doses de pessimismo, repercutindo desfavoravelmente sobre a antiga liberdade de que gozavam os artistas. Apesar disso, as aquisições intelectuais e artísticas da Alta Renascença que ainda estavam frescas e resplandeciam diante dos olhos não poderiam ser esquecidas de pronto, mesmo que o seu substrato filosófico já não pudesse permanecer válido diante dos novos factos políticos, religiosos e sociais. A nova arte que se fez, ainda que inspirada na fonte do classicismo, traduziu-o em formas inquietas, ansiosas, distorcidas, ambivalentes, apegadas a preciosismos intelectualistas, características que refletiam os dilemas do século e definem o estilo geral dessa fase como maneirista.[60][61]
Desde meados do século XV que Portugal se afirmara como uma grande potência naval e comercial, desenvolviam-se as suas artes e fervia o entusiasmo pelas conquistas marítimas. O reinado de Dom João II foi marcado pela formação de um sentimento de orgulho nacional, e no tempo de Dom Manuel I, como dizem Spina & Bechara, o orgulho havia cedido ao delírio, à pura euforia da dominação do mundo. No início do século XVI Garcia de Resende lamentava-se de que não houvesse quem pudesse celebrar dignamente tantas façanhas, afirmando que havia material épico superior ao dos romanos e troianos. Preenchendo esta lacuna, João de Barros escreveu a sua novela de cavalaria, A Crónica do Imperador Clarimundo (1520), em formato de épico. Pouco depois apareceu António Ferreira, instalando-se como mentor da geração classicista e desafiando os seus contemporâneos a cantarem as glórias de Portugal em alto estilo. Quando Camões surgiu, o terreno estava preparado para a apoteose da pátria, uma pátria que havia lutado encarniçadamente para conquistar a sua soberania, primeiro dos mouros e depois de Castela, havia desenvolvido um espírito aventureiro que a levara pelos oceanos afora, expandindo as fronteiras conhecidas do mundo e abrindo novas rotas de comércio e exploração, vencendo exércitos inimigos e as forças hostis da natureza.[62] Mas nesta altura, porém, a crise política e cultural já se anunciava, materializando-se logo após a sua morte, quando o país perdeu a sua soberania para Espanha.[63]

Visão geral

Andries Pauwels: Busto de Camões, século XVII.
 
 
A produção de Camões divide-se em três géneros: o lírico, o épico e o teatral. A sua obra lírica foi desde logo apreciada como uma alta conquista. Demonstrou o seu virtuosismo especialmente nas canções e elegias, mas as suas redondilhas não lhes ficam atrás. De facto, foi um mestre nesta forma, dando uma nova vida à arte da glosa, instilando nela espontaneidade e simplicidade, uma delicada ironia e um fraseado vivaz, levando a poesia cortesã ao seu nível mais elevado, e mostrando que também sabia expressar com perfeição a alegria e a descontração. A sua produção épica está sintetizada n'Os Lusíadas, uma alentada glorificação dos feitos portugueses, não apenas das suas vitórias militares, mas também a conquista sobre os elementos e o espaço físico, com recorrente uso de alegorias clássicas. A ideia de um épico nacional existia no seio português desde o século XV, quando se iniciaram as navegações, mas coube a Camões, no século seguinte, materializá-la. Nas suas obras dramáticas procurou fundir elementos nacionalistas e clássicos.
Provavelmente se tivesse permanecido em Portugal, como um poeta cortesão, jamais teria atingido a maestria da sua arte. As experiências que acumulou como soldado e navegador enriqueceram sobremaneira a sua visão de mundo e excitaram o seu talento. Através delas conseguiu livrar-se das limitações formais da poesia cortesã e as dificuldades por que passou, a profunda angústia do exílio, a saudade da pátria, impregnaram indelevelmente o seu espírito e comunicaram-se à sua obra, e dali influenciaram de maneira marcante as gerações seguintes de escritores portugueses. Os seus melhores poemas brilham exatamente pelo que há de genuíno no sofrimento expresso e na honestidade dessa expressão, e este é um dos motivos principais que colocam a sua poesia em um patamar tão alto.
As suas fontes foram inúmeras. Dominava o latim e o espanhol, e demonstrou possuir um sólido conhecimento da mitologia greco-romana, da história antiga e moderna da Europa, dos cronistas portugueses e da literatura clássica, destacando-se autores como Ovídio, Xenofonte, Lucano, Valério Flaco, Horácio, mas especialmente Homero e Virgílio, de quem tomou vários elementos estruturais e estilísticos de empréstimo e às vezes até trechos em transcrição quase literal. De acordo com as citações que fez, também parece ter tido um bom conhecimento de obras de Ptolomeu, Diógenes Laércio,Plínio, o Velho, Estrabão e Pompónio, entre outros historiadores e cientistas antigos. Entre os modernos, estava a par da produção italiana de Francesco Petrarca, Ludovico Ariosto, Torquato Tasso, Giovanni Boccaccio e Jacopo Sannazaro, e da literatura castelhana.
Para aqueles que consideram o Renascimento um período histórico homogéneo, informado pelos ideais clássicos e que se estende até o fim do século XVI, Camões é pura e simplesmente um renascentista, mas de modo geral reconhece-se que o século XVI foi amplamente dominado por uma derivação estilística chamada Maneirismo, que em vários pontos é uma escola anticlássica e de várias formas prefigura o Barroco. Assim, para vários autores, é mais adequado descrever o estilo camoniano como maneirista, distinguindo-o do classicismo renascentista típico. Isso se justifica pela presença de vários recursos de linguagem e de uma abordagem dos seus temas que não estão concordes às doutrinas de equilíbrio, economia, tranquilidade, harmonia, unidade e invariável idealismo que são os eixos fundamentais do classicismo renascentista. Camões, depois de uma fase inicial tipicamente clássica, transitou por outros caminhos e a inquietude e o drama se tornaram seus companheiros. Por todo Os Lusíadas são visíveis os sinais de uma crise política e espiritual, permanece no ar a perspectiva do declínio do império e do carácter dos portugueses, censurados por maus costumes e pela falta de apreço pelas artes, alternando-se a trechos em que faz a sua apologia entusiasmada. Também são típicos do Maneirismo, e se tornariam ainda mais do Barroco, o gosto pelo contraste, pelo arroubo emocional, pelo conflito, pelo paradoxo, pela propaganda religiosa, pelo uso de figuras de linguagem complexas e preciosismos, até pelo grotesco e pelo monstruoso, muitos deles traços comuns na obra camoniana.
O carácter maneirista da sua obra é assinalado também pelas ambiguidades geradas pela ruptura com o passado e pela concomitante adesão a ele, manifesta a primeira na visualização de uma nova era e no emprego de novas fórmulas poéticas oriundas de Itália, e a segunda, no uso de arcaísmos típicos da Idade Média. Ao lado do uso de modelos formais renascentistas e classicistas, cultivou os géneros medievais do vilancete, da cantiga e da trova. Para Joaquim dos Santos, o carácter contraditório da sua poesia encontra-se no contraste entre duas premissas opostas: o idealismo e a experiência prática. Conjugou valores típicos do racionalismo humanista com outros derivados da cavalaria, das cruzadas e do feudalismo, alinhou a constante propaganda da fé católica com a mitologia antiga, responsável no plano estético por toda a ação que materializa a realização final, descartando a aurea mediocritas cara aos clássicos para advogar a primazia do exercício das armas e da conquista gloriosa.

Os Lusíadas

Capa da edição de 1572 dos Lusíadas.
Os Lusíadas é considerada a epopeia portuguesa por excelência. O próprio título já sugere as suas intenções nacionalistas, sendo derivado da antiga denominação romana de Portugal, Lusitânia. É um dos mais importantes épicos da época moderna devido à sua grandeza e universalidade. A epopeia narra a história de Vasco da Gama e dos heróis portugueses que navegaram em torno do Cabo da Boa Esperança e abriram uma nova rota para a Índia. É uma epopeia humanista, mesmo nas suas contradições, na associação da mitologia pagã à visão cristã, nos sentimentos opostos sobre a guerra e o império, no gosto do repouso e no desejo de aventura, na apreciação do prazer sensual e nas exigências de uma vida ética, na percepção da grandeza e no pressentimento do declínio, no heroísmo pago com o sofrimento e luta.



MANEIRISMO. QUAL A SUA PARTICIPAÇÃO NO CAMPO LITERÁRIO?

Por Wikipedia

Na literatura o Maneirismo se caracteriza, como nas artes visuais, principalmente pela perda da unidade clássica, que reflete a consciência dramática de que todo um ciclo cultural e civilizatório, que deixara uma impressão de grandeza e estabilidade, estava encerrando. Tornam-se comuns na produção dos autores da época sentimentos de dúvida, fracasso, ambigüidade, duplicidade e ironia, e o fantasioso surge como uma fuga dos tumultos da realidade concreta, elementos que denunciam um desejo intenso de ordem e paz, ou atestam que sua conquista é inexeqüível. A crise espiritual ocasionada pela ruptura da unidade religiosa na Europa do século XVI repercute na literatura também através da profusão de traduções da Bíblia do latim para os vernáculos, estabelecendo novos padrões para a escrita em prosa.
Ilustração de Gustave Doré para o Dom Quixote, na cena em que o Cavaleiro da Triste Figura embate contra moinhos de vento imaginando que são gigantes
 
 
Reconstrução moderna do teatro The Globe, onde atuou Shakespeare, com a representação da peça A Comédia dos Erros
 
 
Alguns nomes ligados às letras que trabalharam em formas maneiristas foram John Donne, os poetas da Pléiade francesa, Giovanni della Casa e Giambattista Marino, mas comentar a obra de apenas três autores, na poesia, prosa e teatro, será suficiente para conhecermos as linhas gerais do estilo: Tasso, Cervantes e Shakespeare.
Torquato Tasso, em sua Gerusalemme Liberata (1575) longo poema épico de grande difusão, mostra seu herói Godofredo de Bulhões enfrentando a nulidade de seus ideais diante do testemunho dos fatos, e sofre grande pesar vendo que seu desejo de construir uma comunidade de homens valorosos e leais se torna impossibilitado pela mesquinhez, ambição e hedonismo das pessoas, que são levadas mais pelas pulsões da paixão e do materialismo do que pelos princípios éticos. O paradoxo temático e moral que o poema traz à luz, além de refletir os sentimentos gerais da época, também espelhava as dúvidas que cercavam a própria noção de poesia - sua função, natureza e suas normas - foco de um veemente debate entre os teóricos da época, uns defendendo para ela uma natureza funcional e pedagógica, outros seu caráter eminentemente sensual, no sentido de existir para agradar aos sentidos somente. Mas a luta entre os moralistas e os hedonistas foi resolvida por outros que consideravam-na passível tanto de agradar quanto de instruir, dizendo que ela pode ensinar um bom modo de viver, acendendo os sentidos através da ilustração de situações variadas, e os educando por relatar com engenho e arte as consequências daquelas situações, conduzindo o espírito em direção a uma condição de paz e tranquilidade que também é fonte de prazer.
O protagonista de Cervantes em Dom Quixote (1605-15), passa a maior parte do tempo num mundo ilusório só seu, que, embora possua altos e belos ideais e uma ética cavaleiresca imaculada, não corresponde à verdade de sua época, e disso deriva o efeito ora burlesco, ora patético, ora onírico, ora sublime e poético, e ora trágico, do romance. Uma diferença essencial entre a literatura clássica e a maneirista é que aquela tinha personagens com caracteres claramente definidos, eram bons ou maus, eram ladrões ou heróis, e se resumiam basicamente a tipos relativamente impessoais, com feições imutáveis e cujo comportamento era até certo ponto previsível. Mas agora um único personagem podia incorporar os opostos em si, e todos os estados intermédios. Além da personalidade dos personagens ter sofrido uma complexificação inédita, a própria forma e estrutura da narrativa se modifica. O Quixote é cheio de cortes abruptos, desfechos imprevistos, distrações do foco principal, tem uma estrutura frouxa e informal, e faz extenso uso do linguajar cotidiano ao lado de alusões eruditas, num resultado cuja variedade e falta de uma uniformidade, que já são modernas, também concorrem para ele permanecer atual e vivo até os dias de hoje.
A outra grande figura da literatura maneirista, que nos auxilia a compreender o estilo, é o polimorfo e prolífico Shakespeare, cuja obra sofre uma transformação ao longo do tempo que ilustra bem a passagem da atmosfera renascentista humanista, idílica e classicista, para o maneirismo e sua melancolia, desencanto, complexidade e pathos, e já apontando para os contrastes do Barroco. Sua dramaturgia reflete sua experiência de que "a idéia pura não pode se realizar na terra, e que ou a pureza da idéia tem de ser sacrificada à realidade, ou se deve manter a realidade não afetada pela idéia", um conceito que em si não era novo, mas acrescentando uma dimensão trágica nova a esse casamento impossível, pelo fato de que a vitória moral do herói se dá muitas vezes em virtude de sua derrocada, numa visão sobre o destino que diverge da clássica. Em termos de forma suas peças se realizam, como em Cervantes na prosa, com quebras de continuidade, com um tratamento livre e desigual do espaço e do tempo, na recusa da economia, ordem e linearidade clássicas, na contínua e extravagante expansão e variação do seu material, na caracterização psicológica inconsistente, ambígua e imprevisível dos seus personagens, na justaposição de recursos altamente formalistas e convencionais com outros tirados do prosaico, do improvisado e do vulgar. É também um típico maneirista quando se vale de metáforas obscuras e sobrecarregadas, do mágico e do fantástico, de antíteses, assonâncias e trocadilhos, do intrincado e do enigmático, e quando põe em crua evidência os pontos fracos dos heróis, que podem ser muitos e profundos, e que por isso mesmo os tornam aos olhos modernos tão reais, vivos e verdadeiros.
Parmigianino: Auto-retrato, c. 1523/1524. Kunsthistorisches Museum

Legado

Depois de longo período em descrédito, considerado uma deplorável degeneração do classicismo, o Maneirismo nos aparece agora como um estilo possuidor de uma dignidade própria, que deixou um grande acervo de realizações do mais alto quilate. Também ele vem sendo visto como a primeira escola de arte moderna, principalmente por sua valorização das visões individuais num mundo que até então era regido por valores ditados pelas estruturas políticas e religiosas e pelas convenções genéricas da sociedade. Os maneiristas foram os primeiros criadores que procuraram se evadir do controle de normas apriorísticas impostas a partir de fora, mesmo que essa evasão fosse cerceada por muitos lados e só pudesse se expressar muitas vezes de formas veladas. Ao mesmo tempo, preservaram e revitalizaram um grande repertório de temas e formas clássicas que herdaram dos renascentistas, e os transmitiram à geração barroca. Incentivaram o espírito de pesquisa formal e teórica, e uma nova maneira de observar e descrever a Natureza, ao mesmo tempo mantendo vivo um traço de ceticismo sobre ela que mantinha livre um canal para a expressão da originalidade, da fantasia e da genuína criatividade, e questionava a primazia absoluta do racionalismo e do equilíbrio idealista e da própria noção de beleza.
O Maneirismo também foi importante porque, pela sua própria natureza ambivalente e contraditória, representou um momento de universalismo e de abertura para a diversidade depois das delimitações nacionalistas e da ortodoxia estética do Renascimento; foi assim a primeira linguagem pan-européia desde o Gótico. Sendo em essência cortesão, pelo menos em sua origem, foi o início de uma nova forma de desfrutar a arte apenas como prazer privado, e não necessariamente como afirmação pública de poder e de ideologia. De outra parte, rompeu definitivamente com a longuíssima tradição que atribuía ao artista o papel de intérprete e servo da sociedade em que vivia, e de um membro anônimo a mais numa confraria de simples operários especializados, mas agora, tendo experimentado todas as formas de sublimação, formulação e comunicação de valores coletivos, conhecia sua própria subjetividade interna e doravante jamais a perderia de vista. Não que a consciência da subjetividade fosse uma descoberta nova, mas se tornaria para o futuro um valor por si mesma numa personalidade artística individualizada e única. Esse processo retirou a base de segurança que as estruturas e instituições coletivas proporcionavam para o criador, mas lançou o artista na aventura da liberdade, com todos os riscos e glórias que ela possa acarretar.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Originalismo na prática

A teoria originalista prega o retorno às origens. De fato, na prosa há um neo-realismo, enquanto que na poesia há uma preocupação com a natureza intrínseca do tema abordado.
Então, a literatura original procura responder às seguintes questões:

  1. Quais as reais intenções do ser humano?
  2. Qual os valores são realmente importantes para a humanidade?
  3. Quais as ilusões e quais os equívocos culturais perduram ao longo dos séculos?
  4. Qual o significado original, intrínseco da palvra ou tema abordado?
São essas e outras indagações que fazem o poeta refletir e organizar artisticamente o seu pensamento no papel. O autor tenta expor todas as possibilidades dos temas em evidência. É necessário saber ou apresentar sobre o tema:

  • O que é ou significa;
  • O que pensam que é;
  • O que aparenta ser;
  • Quais as causas ou origens;
  • Qual o equívoco;
  • A desilusão ou descoberta da verdade;
  • O significado original ou a natureza intrínseca do tema;
O Originalismo/Pensadorismo trata exatamente dessas questões buscando no passado as respostas para o presente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A MUSA CARLA RIVERA

















O surgimento de Sílvio Locato como entidade poética foi em 1998, período em que, segundo conta ele, tinha doze anos, treze no fim.
Nesse período, ele conheceu Carla Rivera ou Carla de Andrade Rivera. Ela é a primeira musa na escala de experiência. Hoje ela tem 36 anos de idade.
Ela tem uma história diferente do padrão de Sílvio, das mulheres virgens e puras prontas para ele. Teve uma infância simples, uma adolescência marcada pelas viagens e a primeira relação sexual.
A figura de Roberto Ney como deflorador permaneceu até hoje na história de vida da musa. O fato é que o envolvimento sexual não foi espontâneo, foi confuso, rápido e insatisfatório. Esse foi um trauma que marcou o início de sua adolescência.
Como profundo conhecedor da vida íntima de suas musas, Sílvio sabe que ela não foi só dele, é dele, mas já se entregou a Lino e J. B. Faway, por incrível que pareça!
Dentre essas três experiências não houve outro homem, Sílvio tornou-se o seu parceiro sexual, inclusive é o pai de seu único filho.
Carla é a única que é o exemplo vivo do processo originalista, ou seja, a primeira a atingir o estado natural.
O Estado Natural de Carla foi só um passo. Ela já costumava viver espontaneamente e em contato com a natureza quando era criança. Adotou a amizade fraterna, o amor entre irmãos e depois a vida pastoril mudando-se para o campo no Lar dos Encontros e como já era seu costume, a nudez ocorre espontaneamente.
Não foi surpresa para ela a proposta. Carla nunca foi dada a luxos e mordomias, apesar de ter adquirido uma vasta quantidade de roupas com o seu trabalho, mas sempre usou poucas roupas e tirar não era problema.
Carla é uma das parceiras sexuais de Sílvio, mas tem intimidade com todos os homens da casa, menos no campo sexual. A amizade é levada a sério. Ama-se uns aos outros como a si mesmo.
Aliás, Carla só tem um único parceiro sexual, enquanto que Sílvio tem mais de vinte parceiras. Tornou-se um homem que fugiu aos seus próprios códigos e conceitos em termos de promiscuidade.
Carla conheceu Sílvio aos 26 anos de idade, ele era praticamente um menino, mas adiantado já no corpo, ele só tinha doze anos, pronto para completar treze.
A história dela não é ideal, mas para um pouco desse ar romanesco, Carla surgiu com uma biografia bem típica das mulheres. Ganhou independência aos treze anos quando perdeu sua virgindade.